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Saudades

  Saudades de um tempo bom que não volta mais Saudades da infância, do tempo ocioso Saudades de alguém que foi embora Saudades de quem nunca foi, mas que se mantém distante   Saudades da ternura no olhar de quem nos amou Saudade do abrigo que nossos pais nos davam Saudades do aconchego e das conversas que tínhamos Saudades do meu jeito ingênuo de criança.   Saudades de viver mais a fantasia e menos a realidade Saudades de viver sem a pressão do imediatismo Saudades de viver com mais amor e paixão Saudades de viver sem o desamor que impera neste século de desunião.   Saudades de valorizar cada segundo conversando sem compromisso com o relógio Saudades de viver sem o apego ao efêmero Saudades de  viver sem o medo do tempo Saudades de viver cada momento. Saudades, saudades, saudades. José Miguell Halffitth      

Mulher, guerreira diária.

Mulher é guerreira diária  Todo dia, pede para não ser assassinada Todo dia, pede para não ser maltratada. Todo dia, pede para ser amada. José Miguell Halffitth 

Quem não

 Nesta vida, quem não sabe viver sobrevive. Quem não sabe dizer não vive na infelicidade e na independência dos outros. Quem não ama perde a grande ação humana de viver e vive as tempestades do desamor. Quem não tem dinheiro vive da esperança e dos sonhos que o dinheiro renderia. Quem não tem instrução é facilmente manipulado por quem o  conhecimento detém. Quem não sabe ouvir facilmente se perde na própria soberba e ignorância. Quem não sabe reconhecer os próprios erros desconhece os próprios acertos. Quem não se ama não consegue fazer as pazes com o verdadeiro amor.  Quem não desafia a própria mente mantém a mente em estado ignóbil. Quem não cuida da própria vida tem a tendência de frustrar-se e de tentar cuidar da vida alheia. Quem não se despede do que faz mal vive do mal que não se despede. Quem não se alimenta bem pede para fenecer mais cedo. Quem não se ousa a viver o que quer viver vive da ousadia dos outros. Quem não se aventura pela vida que deseja vive a vida q...

Personagens de um único ser

         Para cada função ou papel que desempenhamos, um personagem nos assume. Para cada relacionamento, um personagem também nos assume. Um homem pode assumir diferentes papéis e atuar vergonhosamente ou magistralmente em todos eles, ou mesmo em alguns deles, porque nos incumbem a interpretação e a atuação em cada um, mas nem sempre nos saímos bem ou tão bem em alguns dos papéis em que atuamos. Há personagens que precisam funcionar bem para sermos bem-sucedidos nos nossos relacionamentos. Um jovem apaixonado, se realmente souber atuar, assume o papel de alguém que verdadeiramente ama, para, assim, conquistar a amada..  Uma mulher que deseja conquistar um homem, se realmente souber atuar, vai demonstrar elegância na fala, nos gestos, além ,é claro , da doçura, por mais amarga que essa mulher seja. Um  jovem professor tímido, numa sala de aula, sabendo atuar, vai demonstrar grande capacidade de comunicação e extroversão. Uma pessoa falsa, se realmente ...

Jogo de cartas

  A nossa vida é um jogo de cartas na qual somos jogadores desde o dia em que nascemos. Nesse jogo de cartas, descartamos muitas pessoas, sentimentos, atitudes, comportamentos. Nesse jogo de cartas, distribuímos sonhos, vivências, chateações, alegrias, confusões de todo tipo. Nesse jogo de cartas, tornamo-nos descartáveis por muitas pessoas, mas também somos cartas valiosas para algumas pessoas com quem mantemos laços mais profundos. Nesse jogo de cartas, nem sempre a mais valiosa carta é vista como tal, muitas vezes é a menos valiosa a mais utilizada pelos jogadores. Nesse jogo de cartas, tudo pode acontecer, inclusive nada. Nesse jogo de cartas, o jogo só termina quando as velas são postas ao nosso lado, representando a luz que nos guiará. José Miguell Halffitth.

Relações líquidas

  Neste século, nossas relações estão cada vez mais líquidas, artificiais e não mais convencem as pessoas. São poucas as que conseguem ser enganadas.  Parece que cada pessoa está vivendo em um mundo particular, cheio de cercas intransponíveis, de regras individuais. Quase ninguém mais consegue conviver com o outro de forma sincera e verdadeira. Parece que vivemos num eterno baile de máscaras. Nossas relações hoje são baseadas em poucas conversas profundas, poucas relações profundas e realmente verdadeiras. Os sentimentos tornaram-se fluidos e, muitas vezes, caóticos. A troca de amores é comparada à troca de roupas pela rapidez com que tem acontecido. Quase tudo é célere, vazio, sem um profundo sentido.   Até a vida se torna esvaziada de sentidos, e os pêsames vivem fazendo parte dos momentos de muitas pessoas. José Miguell Halffitth

Idealizações

               A idealização do primeiro beijo, do primeiro namoro, do primeiro dia de aula, do primeiro relacionamento amoroso, do primeiro encontro amoroso, do primeiro flerte, da primeira transa, do primeiro: “consegui andar de bicicleta!”, do primeiro dia de aula, do primeiro emprego, do primeiro amor. A idealização do casamento ideal, da amizade ideal, da família perfeita. A idealização da paz, da felicidade, das conquistas e vitórias. A idealização dos laços que construímos sobre castelos de areia, a idealização dos sonhos que nos carregam para outros caminhos. Tudo isso é encantador no nosso pensamento, porém, desencantador quando temos contato com a realidade, afinal, todas as nossas idealizações são bem diferentes da realidade, porque idealizamos todas as situações, e no fim, vivemos o que a realidade realmente nos proporciona, que é muito diferente. José Miguell Halffitth